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Aliança - Conceito e processo de formação
Cinara Milanez Shibuya*

Entende-se por Alianças o desenvolvimento de relações privilegiadas entre operadores de níveis diferentes (produtores, transformadores e distribuidores) que se empenham em trabalhar juntos com objetivos previamente definidos (4). Ou ainda como um processo, onde os participantes, por livre arbítrio, modificam as práticas básicas de seus negócios para reduzir o desperdício enquanto melhoram suas performances (5). Esta definição requer que os parceiros reconheçam que alterações significativas são necessárias na estratégia e nas operações, nas perspectivas e práticas do negócio.
Aliança ou parceria vertical difere da integração vertical porque nesta última as vária etapas das transações são realizadas dentro de uma mesma firma (1). Exemplo típico é a produção integrada do frango, desde a criação das matrizes, os ovos, engorda até o abate das aves, outro exemplo é a produção de leite pasteurizado, embalado e distribuído por algumas granjas (3).
Alianças ou parcerias verticais são um fenômeno muito recente e para a cadeia de carne bovina é essencialmente um produto dos anos 90 (2). A formação de uma Aliança oferece um meio de se obter os benefícios da integração vertical sem os investimentos em recursos físicos e humanos desta.

Existe um gap significativo entre a necessidade de uma Aliança e o entendimento de como operacionalizar com sucesso o processo de desenvolvê-la.
Para uma melhor compreensão, propõe-se um modelo composto por três pilares básicos - processo, estratégico e operacional - em quatro estágios.

Processo: o processo de desenvolvimento da Aliança, que identifica os estágios ou passos requeridos para a formação, implementação e manutenção da Aliança.
Estratégico: são as considerações estratégicas que correspondem a cada estágio para possibilitar um entendimento de como o sucesso da Aliança é estimado.

Operacional: são as considerações operacionais que correspondem a cada estágio.

Estágio 1: Concepção da Aliança - este estágio inicia-se quando a firma determina sua necessidade por um sistema de Aliança e provê alternativas para o relacionamento tradicional. A consciência do(s) problema(s) não é(são) suficiente(s) para induzir as alterações nos níveis operacional e estratégico. A organização deve ser convencida da possibilidade de existir um sistema melhor.

Estágio 2: Busca da Aliança - A firma revê os objetivos estabelecidos inicialmente durante a concepção da Aliança e são criadas expectativas redefinidas. (por exemplo, se uma expectativa inicial era a de reduzir estoque, nesta fase pode-se dizer que uma expectativa redefinida seja reduzir em 20% o estoque).
O desenvolvimento de expectativas redefinidas ajuda a firma a identificar características estratégicas e operacionais que outra firma deve possuir para ser qualificada como um parceiro potencial, criando-se os critérios de seleção.

Estágio 3: Confirmação da Aliança - este estágio é focado na seleção de parceiros e sua confirmação. As expectativas estratégicas e operacionais são determinadas em conjunto, e o relacionamento é solidificado. Neste estágio é necessário comprometimento total com o processo. A partir das expectativas, os parceiros podem medir a eficiência estratégica e operacional da Aliança que está sendo planejada, não implementada, e a eficiência operacional e estratégica são expectativas, não percepções de performances.
Medidas do sucesso de uma Aliança são baseadas em benefícios mútuos, onde a eficiência é definida como a extensão com a qual cada firma está comprometida com a Aliança e acha-a produtiva. Freqüentemente, empresas entram em Alianças apenas pensando nos benefícios, e falham ao considerar os custos requeridos para alcançar estes benefícios.
Para o sucesso da Aliança é importante que não haja desequilíbrio de poder, pois não gera benefícios mútuos; desequilíbrio gerencial que pode ser causado por diferença no número de participantes chave, criando a idéia de que uma firma é menos comprometida com a Aliança que a outra. Os parceiros de uma Aliança bem sucedida vêem seu co-destino como se cada parte falhar, ambas vão perder. Esta percepção de co-dependência cria o comprometimento necessário ao desenvolvimento da Aliança. Confiança é um pré-requisito importante para a construção de relacionamentos de longa duração e é essencial para os parceiros dividirem informações chave em nível operacional e estratégico.
Em termos operacionais, Alianças bem sucedidas possuem formalização de procedimentos definidos e medidas da performance, propensão ao comprometimento e comprometimento no relacionamento atual.

Estágio 4: Implementação/Continuidade da Aliança - ocorre o tempo todo, durante o qual a Aliança é continuamente administrada e avaliada por um mecanismo de feedback, através do qual decide-se se a Aliança deve ser sustentada, modificada ou finalizada.
Espera-se que a Aliança seja sustentável até que os participantes percebam: 1 que as necessidades devem ser modificadas ou 2 durou mais que suas expectativas, e concordem em terminar o relacionamento.

Bibliografia

FAVERET FILHO, P. Cadeia da carne bovina: os desafios da coordenação vertical. II Simpósio Nacional da Sociedade Brasileira de Melhoramento Animal. Uberaba, MG, junho de 1998.
FEARNE, A. Building partnership in the meat supply chain: the case of UK beef industry. Food Industry Management Group, Wye College, University of London, junho de 1998.
FELÍCIO, P, E. ; CARVALHO-ROCHA, J. C. M. & SHIBUYA, C. M. Parcerias verticais de Carne Bovina e Serviços de Alimentação. Revista Higiene Alimentar, pág. 9-13, vol. 13, n.º 63, 1999.
SANS, P. & FONTGUYON, G. Formes de coordination et qualité des produits: les effets de la crise ditte “de la vache folle” sur la filière viande bovine.
WHIPPLE, J. M. & FRANKEL, R. The alliance formation process, IAMA Review, n.º 1, vol. 3, 1998.

*Cinara Milanez Shibuya é Engenheira de Alimentos, formada pela Faculdade de Engenharia de Alimentos da UNICAMP, mestranda em Qualidade de Carne pela mesma Universidade e coordenadora do Programa de Qualidade para Carne Bovina do FUNDEPEC, na parte de varejo.

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