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Adaptação do texto: O PROCESSO
DE FORMAÇÃO DE ALIANÇAS
De: Judith M. Whipple
& Robert Frankel
Por
Cinara Milanez Shibuya - FUNDEPEC
A formação de uma Aliança oferece um meio de
se obter os benefícios da integração vertical
sem os investimentos em recursos físicos e humanos desta.
Uma Aliança é definida como um processo, onde os participantes,
por livre arbítrio, modificam as práticas básicas
de seus negócios para reduzir o desperdício enquanto
melhoram suas performances. Esta definição requer
que os parceiros reconheçam que alterações
significativas na estratégia e nas operações,
nas perspectivas e práticas do negócio, são
necessárias.
O interesse e experimentação em Alianças continuam
crescendo, mas as taxas de sucesso descritas para ligações
entre firmas são baixas, 70% das tentativas falham.
O risco de falhar é complicado pelo fato de que estes arranjos
são freqüentemente necessários no meio global
atual, por causa das lacunas internas (habilidades, tecnologia,
capital, acesso ao mercado), requeridos para se ter êxito.
Por que a taxa de sucesso é tão baixa, quando os benefícios
potenciais são tão altos?
Insights limitados de como ter sucesso (tipo soluções
ganha - ganha) falham em mostrar para os administradores como criar,
administrar e manter uma Aliança bem sucedida que encontre
as expectativas de ambos os parceiros, e balanceie os investimentos
em recursos físicos e humanos.
Existe um gap significativo entre a necessidade de uma Aliança
e o entendimento de como operacionalizar com sucesso o processo
de desenvolvê-la.
Para uma melhor compreensão, propõe-se o uso de um
modelo composto por três pilares básicos - processo,
estratégico e operacional - em quatro estágios.
Modelo de Formação
de Aliança
Figura 1: Modelo
de formação, implementação e avaliação
de Alianças.
Fonte: WHIPPLE, J. S.; FRANKEL, R. The Alliance Formation Process,
in
International Food and Agribusiness Management Review, 1998.
Processo: o processo de desenvolvimento da
Aliança, que identifica os estágios ou passos requeridos
para a formação, implementação e manutenção
da Aliança.
Estratégico: são as considerações estratégicas
que correspondem a cada estágio para possibilitar um entendimento
de como o sucesso da Aliança é estimado.
Operacional: são as considerações operacionais
que correspondem a cada estágio.
Estágio 1: Concepção da Aliança - este
estágio inicia-se quando a firma determina sua necessidade
por um sistema de Aliança e provê alternativas para
o relacionamento tradicional.
Estágio 2: Perseguição à Aliança
- neste estágio finaliza-se a decisão de formar uma
Aliança e estabelece-se as considerações estratégicas
e as operacionais que serão usadas para selecionar os parceiros.
Estágio 3: Confirmação da Aliança -
este estágio é focado na seleção de
parceiros e sua confirmação. As expectativas estratégicas
e operacionais são determinadas em conjunto, e o relacionamento
é solidificado.
Estágio 4: Implementação/Continuidade da Aliança
- ocorre o tempo todo, durante o qual a Aliança é
continuamente administrada e avaliada por um mecanismo de feedback,
através do qual decide-se se a Aliança deve ser sustentada,
modificada ou finalizada.

Figura 2: Estágio 1
A consciência do(s) problema(s) não é suficiente
para induzir as alterações nos níveis operacional
e estratégico. A organização deve ser convencida
da possibilidade de existir um sistema melhor.
A firma deve identificar quais objetivos constituem um sistema melhorado.
Baseada nestes objetivos, a firma desenvolve expectativas iniciais
considerando os benefícios da nova estratégia. Benefícios,
como por exemplo, ganhar vantagens competitivas.
Estabelece também o critério de busca para ter êxito
em suas expectativas, assim como identifica as características
necessárias a um parceiro de Aliança.

Figura 3: Estágio 2
Inicia-se quando a firma define suas novas estratégias e
finaliza a decisão de prosseguir a Aliança.
A firma revê os objetivos estabelecidos inicialmente durante
a concepção da Aliança e são criadas
expectativas redefinidas. (por exemplo, se uma expectativa inicial
era a de reduzir estoque, nesta fase pode-se dizer que uma expectativa
redefinida seja reduzir em 20% o estoque).
Neste estágio o problema fica mais claro e o potencial de
uma Aliança é estimado.
O desenvolvimento de expectativas redefinidas ajuda a firma a identificar
características estratégicas e operacionais que outra
firma deve possuir para ser qualificada como um parceiro potencial.
Neste estágio criam-se critérios de seleção
de um parceiro que deve possuir um nível mínimo (threshold
level). Este critério reduz o número de parceiros
potenciais, reduzindo tempo e gastos com avaliações
detalhadas, por eliminar rapidamente os parceiros medíocres.
Quando este passo está completo, a Aliança move-se
para o terceiro estágio do modelo, onde o passo final de
seleção de parceiros é completado.
Figura 4: Estágio 3
A firma avalia o pequeno pool de candidatos identificados no estágio
anterior, seleciona um parceiro final e ambas as firmas concordam
em formar uma Aliança.
Neste estágio é necessário comprometimento
total com o processo.
Os arranjos contratuais necessários são feitos, e
planos de investimentos requeridos na estrutura operacional da Aliança
são discutidos. Os parceiros desenvolvem expectativas estratégicas
para a Aliança, padrões operacionais e objetivos comuns
são mutuamente determinados. A partir destas expectativas,
os parceiros irão medir a eficiência estratégica
e operacional da Aliança. Neste estágio a Aliança
está sendo planejada, não implementada, e a eficiência
operacional e estratégica são expectativas, não
percepções de performances.
Medidas da Eficiência
Estratégica
Medidas do sucesso de uma Aliança são
baseadas em benefícios mútuos, onde a eficiência
é definida como a extensão com qual cada firma está
comprometida com a Aliança e acha-a produtiva.
É afetada por cinco fatores:
- Extensão (duração)
do relacionamento da Aliança: Alianças que sobrevivem
à algum tempo de teste podem ter mais sucesso.
- Administração da Aliança:
três elementos, caso presentes, podem ter impacto negativo.
- Desequilíbrio de poder - pois
não gera benefícios mútuos.
- Desequilíbrio gerencial - pode ser causado por diferença
no número de participantes chave no nível organizacional,
criando a idéia de que uma firma é menos comprometida
com a Aliança que a outra, e os parceiros questionam os
seus esforços. Um fator de sucesso é a garantia
que os parceiros contribuem igualmente com a Aliança.
- Conflito - este é gerado quando um membro assume uma
postura de injuriar, frustrar ou somente ele ganhar. Deve ser
limitado para que os parceiros não tenham uma visão
negativa da Aliança.
- Rede de benefícios: é
definida como o valor estratégico do custo do desenvolvimento
de uma rede de Aliança, indicando que Alianças
formadas com bases bem definidas de custos e benefícios
são mais propensas a exibir alta performance. Freqüentemente,
empresas entram em Alianças apenas pensando nos benefícios,
e falham ao considerar os custos requeridos para alcançar
estes benefícios.
- Semelhança dos parceiros:
compatibilidade organizacional e a duração de relações
profissionais prévias reflete a habilidade de ambos os
parceiros operarem como um, e é função de
objetivos mútuos, cultura similar e Semelhança
em orientações estratégicas. Outro aspecto
importante é a habilidade de dividir informações
entre parceiros.
- Coordenação de parceiros:
os parceiros de uma Aliança bem sucedida vêem seu
co-destino como se cada parte falhar, ambas vão perder.
Esta percepção de co-dependência cria o comprometimento
que ambas as partes vão cooperar e ajudar uma a outra,
manter suas respectivas competitividades. Confiança é
um pré-requisito importante para a construção
de relacionamentos de longa duração e é essencial
para os parceiros dividirem informações chave em
nível operacional e estratégico. São fontes
de confiança, fatores como: integridade, nível de
honestidade, identificação dos motivos (reais intenções
estratégicas dos parceiros), consistência do comportamento,
abertura (percepção de quão honesto o parceiro
é em relação aos problemas) e discrição.
Medida da Eficiência Operacional
É a avaliação da extensão
com a qual cada parceiro está aderindo com as práticas
e procedimentos operacionais da Aliança. Este processo examina
se cada parceiro está agindo conforme prometido, enquanto
considera recursos investidos e benefícios alcançados.
Alianças bem sucedidas dividem três características
que determinam a eficiência operacional da mesma:
- Formalização de procedimentos
definidos e medidas da performance: leva a maior eficiência
porque regras e procedimentos servem para rotinizar atividades
repetitivas e transações.
- Propensão ao comprometimento.
- Comprometimento no relacionamento atual:
a percepção de que a Aliança proverá
resultados/benefícios para cada parte deve ser evidente.

Figura 4: Estágio 4
Este estágio combina as etapas de implementação/administração
e avaliação para criar o mecanismo de feedback que
monitora a Aliança continuamente. São trocadas informações
estratégica, social, técnica e operacional.
A implementação freqüentemente começa
com um pequeno experimento para testar a Aliança e obter
pequeno êxito, incrementos melhores (ou ganhos fáceis)
que constróem a confiança na capacidade do parceiro.
Se os parceiros estabelecem total comprometimento, e determinam
a performance esperada e padrões operacionais, a Aliança
está implementada. Assim que as firmas tornam-se mais confortáveis
umas com as outras e o sucesso é alcançado, planos
de larga escala e comprometimento podem ser identificados e desenvolvidos.
Uma vez estabilizada, os parceiros avaliam o relacionamento formalmente.
Avaliam os objetivos originais e suas expectativas estratégicas
e operacionais para determinar se o relacionamento é bem
sucedido.
Se a avaliação é positiva, a Aliança
é sustentada como sistema permanente ou modificada além
dos objetivos originais.
Se a avaliação é negativa, a Aliança
deve ser finalizada.
Espera-se que a Aliança seja sustentável até
que os participantes percebam (1) que necessidades devem ser modificadas
ou (2) durou mais que suas expectativas, e concordem em terminar
o relacionamento.
Conclusões sobre o
modelo de Alianças
O fator principal do modelo de formação
de Aliança é seu foco dinâmico. Muitos modelos
usados para avaliar a eficiência da Aliança são
estáticos e aplicáveis apenas a um ponto específico.
Este modelo provê um alicerce (base) para a implementação,
manutenção, avaliação por toda a vida
da Aliança.
A avaliação serve para determinar se a Aliança
será sustentada, modificada ou finalizada.
O modelo pode beneficiar firmas em três diferentes níveis:
- A firma considerando uma Aliança
pode beneficiar-se do modelo porque ele provê um projeto
para guiar a formação da Aliança, assim como
identifica considerações estratégicas e operacionais
que promovem Alianças bem sucedidas de longa duração;
- A firma envolvida na implementação
de uma Aliança pode beneficiar-se porque o modelo guia
administradores em avaliar atividades críticas que devem
ser inclusas em relacionamentos correntes. Esta avaliação
pode identificar pontos fortes e fracos bem como áreas
a serem melhoradas;
- Firmas que já implementaram uma Aliança
podem beneficiar-se do modelo, usando-o como ferramenta de benchmarking
para construir uma Aliança melhor-na-prática (best
in pratice).
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